Ideb do RN registra maior alta do País, e Estado sai da lanterna

Ideb do RN registra maior alta do País, e Estado sai da lanterna

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Foto: Matheus Nascimento / Seec

A rede estadual de ensino do Rio Grande do Norte registrou o maior crescimento percentual do País no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre 2023 e 2025. A nota potiguar passou de 3,2 para 4,0, avanço de 0,8 ponto e alta proporcional de 25%. Com o resultado, o Estado deixou a última colocação nacional, alcançou o melhor desempenho de sua série histórica e atingiu pela primeira vez o patamar de 4 pontos. O Ideb é divulgado a cada dois anos, sempre em anos ímpares.

Em números absolutos, o crescimento de 0,8 ponto foi o maior registrado entre as unidades da Federação, empatado com o Rio Grande do Sul, que avançou de 3,9 para 4,7. Na comparação percentual, entretanto, o Rio Grande do Norte ficou isolado na liderança: os 25% de aumento superaram os 20,5% dos gaúchos e os 16,7% da Paraíba, que passou de 3,6 para 4,2.

Os resultados, apresentados nesta quarta-feira 5 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), permitem duas leituras do ensino médio estadual. Considerando apenas o ensino médio regular, a nota do Rio Grande do Norte foi de 3,9. Quando também é incluído o ensino médio integrado à educação profissional e tecnológica, o índice chega a 4,0. O segundo recorte foi adotado pelo Governo do Estado ao divulgar o resultado e é o utilizado na comparação da evolução das redes estaduais.

A alta modificou a posição potiguar no cenário nacional. Em 2023, o Rio Grande do Norte tinha, sozinho, a menor nota entre as 27 unidades da Federação, com 3,2. Em 2025, passou a dividir o patamar de 4,0 com Acre e Rondônia e ficou à frente de Bahia e Maranhão (ambos com 3,8), Amazonas, Rio de Janeiro, Roraima e Amapá (cada um com 3,7) e Distrito Federal, com 3,6.

Apesar do avanço, o resultado potiguar ainda permanece abaixo da média nacional das redes estaduais, que chegou a 4,3 em 2025. A nota do ensino médio brasileiro, considerando todas as redes, subiu de 4,3 em 2023 para 4,5. Entre as escolas privadas, o índice alcançou 5,8.

Melhor resultado da série

A nota 4,0 é a maior já obtida pelo Rio Grande do Norte desde o início da série histórica, em 2005. O índice também supera em 0,8 ponto os resultados de 2019 e 2023, ambos de 3,2, que até então eram os melhores desempenhos da rede estadual. Em 2021, durante os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre a educação, a nota havia recuado para 2,8.

Em coletiva de imprensa, a governadora Fátima Bezerra (PT) atribuiu a evolução a medidas adotadas nas áreas de gestão, recuperação da aprendizagem, permanência dos estudantes e capacitação dos trabalhadores da educação.

“Este resultado é fruto de planejamento estratégico, priorização de pautas e investimentos robustos realizados ao longo desta gestão. Destaco ações fundamentais como o aprimoramento da gestão escolar, a recomposição das aprendizagens, a busca ativa por estudantes e o investimento contínuo na formação dos nossos profissionais”, afirmou.

Fátima também destacou investimentos de R$ 200 milhões em infraestrutura física, incluindo reformas, ampliações, construção de unidades dos Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação (IERNs) e climatização das escolas. De acordo com a governadora, outros R$ 150 milhões foram aplicados em modernização tecnológica.

“Desde 2024, todas as escolas da rede estadual contam com banda larga, rede Wi-Fi, tablets e laboratórios equipados. Além disso, a valorização do magistério é um pilar essencial. O Rio Grande do Norte é o único estado do país que cumpre integralmente a Lei do Piso Salarial Nacional, assegurando reajuste não apenas para quem está em sala de aula ou abaixo do piso, mas protegendo toda a carreira e garantindo benefício aos aposentados”, declarou.

Para a secretária estadual de Educação, Socorro Batista, o resultado não representa somente uma recuperação da queda observada em 2021, mas a chegada da rede a um novo nível de desempenho. Ela apontou o acompanhamento permanente das escolas, das diretorias regionais e dos estudantes, aliado às ações de recomposição das aprendizagens, como base para o crescimento.

“O monitoramento contínuo do desenvolvimento das escolas, das diretorias regionais e, sobretudo, dos estudantes — aliado à recomposição das aprendizagens — constitui o alicerce para os resultados que agora divulgamos”, afirmou.

Cenário nacional

O Ideb varia de zero a dez e combina dois componentes: o desempenho dos estudantes nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as taxas de aprovação escolar. Dessa forma, o indicador procura medir simultaneamente a aprendizagem e o fluxo dos alunos ao longo das etapas de ensino. Notas mais altas dependem tanto de melhores resultados nas provas quanto de maior progressão escolar.

O ensino médio concentra 7,3 milhões de matrículas em cerca de 30 mil escolas brasileiras. As redes estaduais reúnem 6 milhões de estudantes, equivalentes a 82% de todas as matrículas da etapa e a 95,5% dos alunos matriculados na rede pública. Por isso, o desempenho do ensino médio é diretamente relacionado às políticas educacionais desenvolvidas pelos governos estaduais.

Considerando apenas o ensino médio na rede pública, o Paraná obteve a maior nota do País em 2025, com 5,1. Na sequência, aparecem Goiás, com 5,0; Piauí e Espírito Santo, com 4,9; Pernambuco, com 4,8; e Rio Grande do Sul e Ceará, com 4,7. O Distrito Federal foi a única unidade da Federação a apresentar redução, passando de 3,7 para 3,6.

Por AgoraRN

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