Trump anuncia tarifa de 10% para os produtos do Brasil

Trump anuncia tarifa de 10% para os produtos do Brasil

Compartilhe

Foto: reprodução do youtube

Após semanas propagando o “Dia da Libertação’, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou na quarta-feira, 2, as chamadas tarifas recíprocas para todos os países. O anúncio, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, gera apreensão global e alimenta a expectativa de uma iminente guerra comercial de grandes proporções. O presidente Donald Trump anunciou que a tarifa recíproca para o Brasil será de 10%. Ele disse ainda que a tarifa para a China será de 34%; União Europeia, 20%; Reino Unido, 10%; Vietnã, 46%; Cambodja, 49%; África do Sul, 30%.

Trump avaliou este é “um dia histórico para a América” e que as medidas, além de fazerem os EUA “ricos novamente”, fortalecerão o mercado de trabalho e indústria do país. Ele culpou os presidentes anteriores por não terem colocado tarifas recíprocas para os países. “As tarifas começam a valer a partir da meia-noite (horário local)”, disse ele, destacando que as taxas vão apoiar os fazendeiros americanos.

A primeira medida anunciada por Donald Trump foi a taxação de 25% em cima de automóveis de países europeus e asiáticos a partir desta quinta-feira (3/4). “A partir de meia-noite, nós vamos impor tarifa de 25% para todos os automóveis importados”, disse o presidente.

As tarifas recíprocas, um dos principais pontos da medida, consistem na aplicação de taxas equivalentes às que os Estados Unidos enfrentam em outros mercados. O governo norte-americano argumenta que países que impõem barreiras ao comércio com os EUA serão submetidos a medidas semelhantes.

Para Trump, a implementação das tarifas é uma forma de recuperar a importância da indústria americana, criar novos empregos e reduzir o déficit comercial do país, de quase US$ 1 trilhão (R$ 5,7 trilhões) em 2024. Além disso, diz ele, a medida vai corrigir anos de comércio “injusto” em que os outros países têm roubado os Estados Unidos.

No mundo, a implementação das tarifas pode representar uma redução no crescimento global e até recessão em alguns países, a exemplo de México e Canadá, que são altamente dependentes do comércio americano. Para o Brasil, alguns produtos devem sofrer mais que outros. Trump já tinha anunciado no mês passado uma tarifa de 25% sobre todo aço e o alumínio que entra nos Estados Unidos, e isso tende a ter reflexo nas exportações brasileiras.

Tarifaço no Brasil

No Brasil, o tarifaço de Trump gera preocupação, principalmente, entre os setores de aço e alumínio, que já enfrentam tarifas desde março. Além disso, o etanol brasileiro já foi citado como exemplo de comércio desigual: enquanto os EUA cobram uma taxa de 2,5% sobre o etanol importado, o Brasil aplica uma tarifa de 18% sobre o produto norte-americano.

O presidente Lula (PT) criticou a decisão e afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC). Caso a contestação não tenha efeito, o governo avalia a imposição de tarifas sobre produtos norte-americanos.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 2, a tramitação em regime de urgência do “PL da Reciprocidade”, projeto de lei que estabelece critérios para que o Brasil responda a “medidas unilaterais” adotadas por países ou blocos econômicos que afetem a competitividade internacional do País. O requerimento foi aprovado com 361 votos a favor, 10 contra e duas abstenções.

Enquanto o projeto era discutido no Senado, na terça, 1º, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) chegou a afirmar que a ameaça de tarifaço ao Brasil, por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve ensinar aos parlamentares que “definitivamente, nas horas mais importantes, não existe um Brasil de esquerda ou de direita, existe apenas o povo brasileiro”.

TN

* Todos os comentários são de responsabilidade dos seus autores.

Abrir bate-papo
Olá 👋
Bem-vindo(a) a Santa Cruz 98 FM!