RN registra 7 novos casos de câncer do colo do útero em 2026; prevenção e vacinação ainda são desafios

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O Rio Grande do Norte já contabiliza 7 novos casos de câncer do colo do útero em 2026, segundo dados do Painel de Oncologia do DATASUS, compilados pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) até o dia 15 de março. O número reforça o alerta para a doença, que segue entre as mais frequentes entre mulheres no Brasil e tem relação direta com o HPV (papilomavírus humano).
De acordo com o levantamento, o estado registrou 400 casos ao longo de 2025 e 437 em 2024, indicando uma leve redução no último ano, mas mantendo um patamar elevado de diagnósticos. No cenário nacional, já são 682 novos casos em 2026, enquanto o total chegou a 12.753 em 2025 e 20.406 em 2024.
O câncer do colo do útero é o terceiro mais frequente entre mulheres brasileiras, atrás apenas dos tumores de mama e colorretal. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de cerca de 19,3 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, o que representa um crescimento de aproximadamente 13% em relação ao triênio anterior.
HPV é o principal fator de risco
Responsável por 99,7% dos casos, o HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. O vírus possui mais de 100 tipos e pode afetar tanto mulheres quanto homens, sendo transmitido principalmente por contato sexual — vaginal, anal ou oral.
Na maioria dos casos, a infecção é silenciosa, o que dificulta o diagnóstico precoce. Quando há sintomas, podem surgir coceira, ardência, dor durante a relação, além de lesões semelhantes a verrugas. Em casos mais avançados, o vírus pode causar câncer também em regiões como ânus, pênis e garganta.
Vacinação e prevenção
A principal forma de prevenção é a vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além do uso de preservativos. A vacina é indicada para:
Meninas de 9 a 14 anos
Meninos de 11 a 14 anos
Pessoas com HIV e transplantados entre 9 e 26 anos
O esquema padrão é de duas doses, com intervalo de seis meses.
Apesar da disponibilidade, a adesão ainda enfrenta barreiras. Um estudo da Fundação Nacional do Câncer aponta que 37% dos adolescentes desconhecem que a vacina previne o câncer, enquanto muitos ainda acreditam em mitos sobre efeitos colaterais ou associação com o início precoce da vida sexual.
Diagnóstico precoce pode salvar vidas
Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura. Exames ginecológicos regulares, como o preventivo, e testes específicos são essenciais para identificar o HPV e possíveis lesões ainda em estágios iniciais.
“O principal objetivo da vacinação é gerar imunidade sem que o organismo precise enfrentar a doença. No caso do HPV, isso significa reduzir drasticamente o risco de câncer relacionado ao vírus”, alerta o ginecologista e membro da ONA, dr. Daniel Buttignol.
No RN, os números reforçam a necessidade de ampliar o acesso à informação, à vacinação e ao rastreamento da doença, especialmente diante de um cenário em que o câncer do colo do útero segue sendo uma ameaça evitável, mas ainda presente.
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