Ato político na UFRN termina em bate-boca e agressões entre militantes do PL e estudantes

Ato político na UFRN termina em bate-boca e agressões entre militantes do PL e estudantes

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Foto: @Uefyerryeni no X

Um confronto entre militantes do Partido Liberal (PL) e estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) provocou tumulto no campus central da instituição, em Natal, na tarde desta segunda-feira (19).

Vídeos que circularam nas redes sociais mostram bate-boca, empurrões e agressões físicas entre os dois grupos. O portão que dá acesso aos setores III e IV da universidade ficou bastante danificado. Até a última atualização desta reportagem, não havia registro de prisões.

De acordo com relatos dos envolvidos, a confusão começou durante um ato político promovido por militantes do PL dentro do campus. Estudantes da universidade teriam reagido à presença do grupo, o que provocou uma discussão acalorada, com troca de ofensas e agressões físicas.

Em nota, a UFRN repudiou os atos de violência no campus e disse que mobilização política ocorreu sem autorização institucional e com o uso de equipamentos de som e fogos de artifício.

A UFRN citou ainda que o a mobilização foi “acompanhada de atos de violência e ameaças à integridade física e moral de membros da comunidade acadêmica, além de danos ao patrimônio público e provocando a interrupção de aulas e atividades administrativas”. A universidade informou que vai adotar medidas administrativas e judiciais para rigorosa apuração das ocorrências e a responsabilização dos envolvidos (veja nota completa mais abaixo).

O g1 procurou o PL do Rio Grande do Norte, mas o partido não havia se manifestado até a atualização mais recente desta reportagem.

Professor interrompeu aula ao ouvir carro de som

O professor de Serviço Social da universidade Henrique Wellen conta que ouviu barulho de carro de som e interrompeu a aula para verificar o ato.

“Eu não conhecia as pessoas, não vi se tinha aluno, não reconheci professores e tava fazendo muito barulho, inclusive na hora da aula, e provocando. Começou a juntar pessoas que não era desse grupo de direita e aos poucos começou a ter provocações”, disse.

O deputado federal General Girão (PL) e a vereadora de Natal e deputada estadual eleita Camila Araújo (PL) participaram do ato político. A segurança patrimonial da universidade foi acionada para conter os ânimos e separar os grupos.

TRE solicitou apoio da PM

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) também solicitou apoio da Polícia Militar após receber denúncias sobre o ato por meio do aplicativo Pardal, usado para comunicar possíveis irregularidades eleitorais.

Em nota, o juiz eleitoral Cleanto Pantaleão afirmou que manifestações políticas dentro de universidades são protegidas pela liberdade de expressão e pela autonomia universitária. Ele ressaltou, porém, que essa proteção não permite propaganda eleitoral irregular nem uso indevido de bens públicos.

Veja, na íntegra, a nota da UFRN

“A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) manifesta seu mais veemente repúdio aos atos de violência ocorridos em 19 de outubro, no Campus Central da instituição.

A Universidade é um espaço de formação, pluralidade, diálogo e respeito às diferenças, que tem na liberdade de expressão e no estímulo ao pensamento crítico, princípios fundamentais de sua missão. A divergência de ideias, inerente à vida universitária e ao exercício democrático, não pode, sob qualquer circunstância, servir de justificativa para atos de intimidação, ameaças, violência ou desrespeito.

A mobilização política em questão, realizada sem autorização institucional e com o uso de equipamentos de som e fogos de artifício, foi acompanhada de atos de violência e ameaças à integridade física e moral de membros da comunidade acadêmica, além de danos ao patrimônio público e provocando a interrupção de aulas e atividades administrativas.

Diante da gravidade dos fatos, a administração universitária adotará as medidas administrativas e judiciais cabíveis para assegurar a rigorosa apuração das ocorrências e a responsabilização dos envolvidos.

A UFRN reafirma seu compromisso com a proteção da sua comunidade acadêmica e a defesa intransigente dos princípios democráticos, da liberdade de expressão e do respeito às diferenças”.

Por g1 RN

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