Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, estima INCA

Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, estima INCA

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Foto: Freepik

Por Silvana Reis, g1

O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativas divulgadas nesta quarta-feira (4) pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). O avanço consolida o câncer como uma das principais causas de adoecimento e morte no país, com impacto cada vez mais próximo ao das doenças cardiovasculares.

De acordo com o instituto, o envelhecimento da população, a exposição a fatores de risco e o diagnóstico tardio ajudam a explicar o crescimento contínuo dos casos e da mortalidade por câncer no Brasil.

O que diz o relatório

O levantamento aponta que, ao excluir os tumores de pele não melanoma, a estimativa é de 518 mil novos casos por ano, sendo 256 mil em homens e 262 mil em mulheres. Os dados reforçam que o câncer se consolida como uma das principais causas de adoecimento e morte no país.

O câncer de pele não melanoma segue como o tipo mais frequente no país, com estimativa de 263 mil novos casos por ano, o equivalente a mais de 30% de todos os diagnósticos. Apesar da alta incidência, esse tipo apresenta baixa letalidade e altas chances de tratamento, especialmente quando identificado precocemente.

O câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres (78.610 casos/ano), enquanto o de próstata lidera entre os homens (77.920 casos/ano), ambos representando cerca de 30% do total de diagnósticos em seus respectivos sexos

O documento alerta para o avanço do câncer de cólon e reto, o mesmo que matou a cantora Preta Gil. Este tipo se tornou o terceiro mais frequente no Brasil para ambos os sexos (53.810 casos/ano).

Na faixa etária de 0 a 19 anos, são esperados 7.560 novos casos por ano. Os tipos mais comuns nesse grupo são as leucemias, que afetam o sistema hematopoiético, e os tumores do sistema nervoso central.

Tipos de casos de câncer por gênero

Há uma diferença por gênero nos tipos de casos de câncer que devem ser registrados, segundo o Inca. Entre os homens, os cânceres com maior incidência estimada são:

Próstata (30,5%)
Cólon e reto (10,3%)
Pulmão (7,3%)
Estômago (5,4%)
Cavidade oral (4,8%)

Entre as mulheres, os tipos mais frequentes são:

Mama (30%)
Cólon e reto (10,5%)
Colo do útero (7,4%)
Pulmão (6,4%)
Tireoide (5,1%)

Estimativas Globais

Cerca de 35,3 milhões de novos casos de câncer devem ser registrados por ano até 2050, segundo projeções que apontam um aumento de 77% na incidência da doença em relação a 2022, quando foram estimados cerca de 20 milhões de diagnósticos.

“Estimativas mostram que até 50% dos casos poderiam ser evitados com ações eficazes de prevenção, como promoção de hábitos saudáveis, vacinação, redução da exposição a fatores de risco e ampliação do rastreamento”, apontam os responsáveis no relatório.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressalta que o governo pretende garantir ao menos um centro de quimioterapia em cada estado e destaca que a expansão do diagnóstico e do tratamento precisa caminhar junto com ações de prevenção, diante do crescimento de casos como o câncer colorretal, relacionado à alimentação.

“O câncer já é uma grande prioridade para o Ministério da Saúde. Nosso desafio é fazer o Brasil ter a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento contra o câncer do mundo”, afirma Alexandre Padilha.

Desigualdades Regionais

Os dados indicam maior incidência de câncer em áreas com maior desenvolvimento socioeconômico, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o que especialistas atribuem ao maior acesso ao diagnóstico.

Os estados do Norte e do Nordeste aparecem, em geral, com taxas menores, mas concentram variações importantes, como no caso do câncer de colo do útero. “O fato de esse tipo de tumor ainda ocupar a segunda posição nessas regiões indica a necessidade de ampliar as taxas de rastreamento”, destaca o material apresentado.

O câncer do colo do útero, apesar de ser uma doença com grande potencial de prevenção e até de erradicação, apresenta alta incidência no Brasil. Ele é o tipo mais comum nas regiões Norte e Nordeste e ocupa a terceira posição no Centro-Oeste e no Sudeste. O material ressalta a necessidade de ampliar o rastreamento e a vacinação contra o HPV.

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