Unicat registra falta de 75 itens da lista de 220 medicamentos distribuídos

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Foto: Magnus Nascimento

A sede da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), em Natal, está com 75 dos 220 medicamentos listados no portal em falta, cerca de 34% do total. Segundo dados da Secretaria de Saúde do RN, 57 itens estão em licitação e 18 dependem de envio federal. Os dados foram consultados nessa quinta-feira (22). A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) atribui as pendências à demora nas licitações e a dificuldades dos fornecedores.

O secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, explicou que, em licitações, há casos em que as empresas não conseguem adquirir insumos para fabricar os medicamentos ou cumprir os prazos de entrega. “E ocorre também, já aconteceu, de a gente ter medicamento licitado e o fornecedor não entregar”, afirmou.

De acordo com Motta, os processos podem se prolongar ainda devido à participação de diferentes fornecedores e à apresentação de recursos administrativos ou judiciais. Apesar das dificuldades, ele defendeu a manutenção das licitações como forma de garantir segurança nas compras públicas. “Do ponto de vista da gestão pública, nada mais seguro, mais correto, mais adequado do que a licitação”, declarou.

Entre os medicamentos que constam como em licitação na Unicat estão a atorvastatina, utilizada no controle do colesterol; a hidroxicloroquina, indicada para o tratamento de doenças autoimunes, como o lúpus; a mesalazina, usada no tratamento de doenças inflamatórias intestinais, como a retocolite ulcerativa, entre outros.

A agricultora Eleone Oliveira relata que a mãe ficou mais de oito meses sem receber budesonida pela rede pública. O medicamento é utilizado no tratamento de doenças respiratórias, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Na lista da Unicat, a budesonida na apresentação de 6 + 200 mcg consta como “em licitação” e, mais uma vez, a agricultora não teve acesso ao remédio, depois de muitas semanas tentando.

“Minha mãe ficou comprando sem poder, né? Porque, quando a pessoa vem receber é para ter todos os remédios, não em falta”, afirmou.

A agente de saúde Sueli Xavier relata que a sobrinha ficou sem receber leuprorrelina, utilizada no tratamento da puberdade precoce, desde janeiro. Durante o período, a família precisou comprar o medicamento. “Precisei comprar, porque não tem aqui”, afirmou. Segundo ela, a falta do remédio é recorrente.

A leuprorrelina é um dos medicamentos fornecidos pelo Ministério da Saúde, e nesta quinta-feira estava disponível.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que 12 dos 18 medicamentos listados pela Sesap como “aguardando envio do Ministério da Saúde” estão com fornecimento regular para o Rio Grande do Norte. Uma remessa de tafamidis 61 mg está prevista para ser enviada em 28 de outubro. Outros quatro medicamentos estão em fase de conclusão da compra: cladribina 10 mg, levetiracetam 500 mg, tobramicina 300 mg e upadacitinibe 15 mg. Já o fornecedor da rivastigmina transdérmica 9 mg foi notificado a informar uma data para regularizar o fornecimento.

Unicat passa a funcionar aos domingos

A Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), em Natal, passou a funcionar diariamente, incluindo domingos e feriados. A ampliação do atendimento foi anunciada pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) nesta quarta-feira (21).

Segundo o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, a medida busca facilitar o acesso aos medicamentos, diante de problemas enfrentados até mesmo por pacientes com agendamento. “A gente percebeu que, mesmo com os agendamentos, ainda estava tendo muita gente com dificuldade de acesso”, afirmou.

Motta informou que a Sesap pretende estender o funcionamento aos domingos e feriados a outras unidades, mas a ampliação depende da disponibilidade de profissionais.

Para viabilizar o novo horário da Unicat, o Estado redistribuiu os servidores entre as equipes. O secretário também mencionou as convocações realizadas por meio de concurso público como parte das medidas para reforçar o quadro de pessoal. O Estado já convocou 3.307 profissionais no total, mas ainda enfrenta limitações para ampliar as equipes.

Outra iniciativa citada pelo secretário é a parceria com a Prefeitura de Lajes, que ficará responsável pela estrutura e pelos profissionais para a distribuição de medicamentos enviados pelo Estado. “Isso é positivo porque o usuário não vai precisar mais se deslocar para Natal”, considera o secretário de saúde.

Tribuna do Norte

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