SUS passa a oferecer vacina que amplia proteção contra pneumonia e meningite

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Foto: José Aldenir

O Ministério da Saúde iniciou neste sábado (20) a aplicação da vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) em todo o país. O imunizante passa a integrar o Calendário Nacional de Vacinação e amplia a proteção contra doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo, responsável por casos de pneumonia, meningite, infecções no sangue e otite.

A nova vacina substitui a pneumocócica 10-valente utilizada até então na rede pública. Enquanto a versão anterior protegia contra 10 sorotipos da bactéria, a Pneumo 20 amplia a cobertura para 20 variantes.

Segundo o Ministério da Saúde, crianças menores de 5 anos que ainda não completaram o esquema vacinal poderão receber o novo imunizante nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Desde maio, mais de 570 mil doses foram distribuídas aos estados. A previsão do governo federal é entregar mais de 6,1 milhões de doses até o fim do ano.

A vacina já estava disponível na rede privada desde 2024, onde o custo pode ultrapassar R$ 500 por dose.

Entre as mudanças trazidas pela nova formulação está a inclusão de sorotipos atualmente associados a parte dos casos mais graves da doença pneumocócica no Brasil, como os tipos 3, 6A e 19A.

Dados divulgados anteriormente pelo Ministério da Saúde indicam que a cobertura contra os sorotipos mais relacionados a quadros graves em crianças menores de 5 anos passa de 3% para 77% com a adoção da nova vacina.

Além da proteção contra formas invasivas da doença, como meningite e infecções generalizadas, o imunizante também reduz o risco de otite média, uma das infecções mais frequentes na infância e que pode causar complicações auditivas em casos mais graves.

A vacinação contempla crianças menores de 5 anos, crianças a partir de 2 anos com condições clínicas especiais, idosos institucionalizados com 60 anos ou mais e povos indígenas a partir de 5 anos sem histórico vacinal.

Para os bebês, o esquema segue o calendário infantil, com aplicação da primeira dose aos 2 meses, segunda dose aos 4 meses e reforço aos 12 meses de idade.

Já para idosos institucionalizados e demais grupos elegíveis, a aplicação ocorre em dose única, de acordo com os critérios definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A ampliação da vacinação ocorre em um cenário de circulação persistente do pneumococo no país. A bactéria pode habitar as vias respiratórias sem provocar sintomas, facilitando a transmissão, especialmente entre crianças pequenas. Em alguns casos, porém, consegue atingir outras partes do organismo e causar doenças potencialmente fatais.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou cerca de 4,6 mil casos de meningite pneumocócica entre 2023 e 2025, com aproximadamente 1,4 mil mortes no período.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica permanece entre as principais causas de mortalidade infantil por enfermidades que podem ser prevenidas por vacinação.

A expectativa do governo federal é imunizar cerca de 2,4 milhões de bebês por ano com a Pneumo 20, ampliando a proteção contra formas graves da doença desde os primeiros meses de vida.

 

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