
Foto: José Aldenir / Agora RN / Arquivo
Uma das seis prefeituras do Rio Grande do Norte investigadas por suspeitas de fraudes em licitações e desvio de verbas federais da saúde recebeu medicamentos com apenas um dia de validade, de acordo com a Polícia Federal. O caso envolve o município de Serra do Mel.
Os detalhes constam na decisão do desembargador federal Rogério Fialho Moreira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), com sede em Recife, que autorizou o cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão realizados na terça-feira 27.
No pedido encaminhado ao desembargador, a PF informou que um lote com mil unidades de succinato de metoprolol 100 mg — medicamento indicado para o tratamento de hipertensão — chegou ao município com validade de apenas um dia, o que ocasionou a perda integral do material.
Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou ainda o recebimento de outros lotes com validade entre 30 e 60 dias, prazo considerado curto, além de quantidades superiores ao histórico de consumo da rede municipal. A investigação também aponta o descarte de mais de 1,1 mil unidades de Prednisona 5 mg, em maio de 2024, em razão do vencimento.
Apesar de o estoque contar com mais de mil unidades, desde 2023 o maior volume mensal de saída do medicamento havia sido de apenas 78 unidades.
Outros medicamentos, como azitromicina 500 mg, aciclovir 200 mg, metoclopramida 10 mg e paracetamol 200 mg/ml, também teriam sido adquiridos com prazos de validade reduzidos e em volumes acima da média histórica de consumo do município.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam que parte significativa dos produtos pagos pela Prefeitura não foi entregue pela empresa Dismed; houve aquisição de medicamentos em quantidades superiores à demanda da rede municipal; pagamentos por itens com validade residual incompatível com o padrão de consumo; além de sobrepreço em produtos contratados em um único pregão.
Em uma nota fiscal no valor de R$ 89.170,00, a auditoria identificou que R$ 52.312,58 correspondiam a medicamentos não entregues, caracterizando, segundo o relatório, um “superfaturamento de 58,67% do valor total da Nota Fiscal”.
Ainda de acordo com a PF, desde 2016 a Prefeitura de Serra do Mel pagou à empresa Dismed o montante de R$ 4.089.868,85. O município também teria repassado R$ 1.445.082,52 a outra empresa investigada.
Em nota divulgada nesta quarta-feira 28, a defesa da Distribuidora Dismed e do empresário Oseas Monthalgann Fernandes Costa negou a prática de crimes.
“A Dismed atua há 18 anos de forma contínua e regular no comércio atacadista de medicamentos, exercendo atividade lícita, fiscalizada e amplamente reconhecida no mercado, sem histórico de irregularidades”, afirmou em nota.
A defesa acrescentou que aguarda acesso integral aos autos, “a fim de proceder à análise técnica do conteúdo, de sua existência, contexto e legalidade, observando-se rigorosamente as garantias constitucionais”, disse a defesa.
Seis prefeituras investigadas na Operação Mederi

Foto: Reprodução
Ao menos seis prefeituras do Rio Grande do Norte estão sob investigação na Operação Mederi, da Polícia Federal, por suspeita de participação em um esquema criminoso de desvio de recursos públicos e fraudes em processos licitatórios.
Entre os alvos dos mandados de busca estão o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União); o vice-prefeito Marcos Medeiros (PSD); o prefeito de São Miguel, Leandro do Rego Lima (União); o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP); além de secretários municipais de José da Penha. A residência do irmão do prefeito de São Miguel também foi alvo da operação.
Segundo a PF, a apuração investiga indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte que atuavam junto a administrações municipais de diferentes estados. A operação tem como base auditorias da CGU, que apontam falhas na execução contratual, incluindo compra de materiais não entregues, fornecimento inadequado e sobrepreço.
Os investigados poderão responder por crimes relacionados a desvios de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas. Durante a operação, um empresário de Serra do Mel foi conduzido em flagrante à Polícia Civil por posse ilegal de arma de fogo.
A PF também confirmou a apreensão de dinheiro na casa de um dos sócios de uma empresa investigada. A Justiça determinou a aplicação de medidas cautelares diversas contra empresários, incluindo pagamento de fiança e uso de tornozeleira eletrônica por sócios e funcionários das empresas investigadas.
Agora RN