
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito no domingo 25 para seu quarto mandato como presidente da República. Com a eleição matematicamente definida pela Justiça Eleitoral, a apuração chegou a 99,99% das urnas no Brasil e no exterior. Nessa parcial, o petista somava 64.248.884 votos, equivalentes a 51,78% dos válidos, contra 59.822.138 de Flávio Bolsonaro (PL), que registrava 48,22%.
Na atualização das 22h15min11s de domingo, a vantagem de Lula era de 4.426.746 votos, correspondente a 3,56 pontos percentuais. Naquele momento, a diferença já não podia ser revertida pelos votos das seções restantes, e o painel da Justiça Eleitoral indicava a eleição como matematicamente definida.
Com a vitória, Lula permanecerá na Presidência no período de 2027 a 2030. O petista governou o país entre 2003 e 2010, em dois mandatos consecutivos, e retornou ao Palácio do Planalto em 2023, após vencer a eleição de 2022.
A apuração de domingo teve alternância na liderança. Lula apareceu à frente nas primeiras parciais, foi ultrapassado por Flávio e retomou a dianteira na atualização que registrava 47,62% das urnas totalizadas. A partir daí, ampliou a vantagem até a confirmação da vitória.
Segurança pública e diálogo com o Congresso
Em pronunciamento após a confirmação da vitória, Lula prometeu ampliar a participação do governo federal na segurança pública. O presidente reeleito defendeu uma atuação mais efetiva da União no enfrentamento à criminalidade e maior integração com os estados.
A declaração retoma a agenda da proposta de emenda à Constituição conhecida como PEC da Segurança. A implementação das mudanças dependerá da definição das medidas pelo governo e, no caso da proposta constitucional, de tramitação e aprovação no Congresso. Na mesma noite, Lula afirmou que buscará conversar com o Legislativo eleito pela população.
Vitória em 13 estados e virada em Minas Gerais
O mapa da votação presidencial registrou vitória de Lula em 13 estados, incluindo os nove do Nordeste. O petista também terminou à frente em Amazonas, Pará, Amapá e Minas Gerais. Flávio venceu em 14 unidades da Federação, mas foi superado na soma nacional dos votos.
Em Minas Gerais, Lula reverteu a desvantagem do primeiro turno. Com todas as seções do estado totalizadas, recebeu 6.351.099 votos, ou 50,43% dos válidos, contra 6.241.786 de Flávio, equivalentes a 49,57%. A vantagem do petista foi de 109.313 votos.
No RN, Lula recebeu 65,72% dos votos
O Rio Grande do Norte acompanhou a maioria formada pelo petista no Nordeste. Com 100% das seções totalizadas no estado, Lula obteve 1.413.596 votos, equivalentes a 65,72% dos válidos. Flávio recebeu 737.409 votos, ou 34,28%, uma diferença de 676.187 votos.
Entre os dois turnos, Lula acrescentou 175.633 votos à sua votação no RN e passou de 59,75% para 65,72% dos válidos. Flávio também ampliou o número de votos, de 720.493 para 737.409, embora sua participação percentual tenha recuado de 34,77% para 34,28%.
Flávio anuncia contestação do resultado
Após a derrota, Flávio Bolsonaro afirmou que não reconhece o resultado e anunciou que pedirá a anulação da eleição. O candidato relacionou a contestação à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação.
O anúncio expressa a intenção de recorrer à Justiça. A reportagem sobre o pronunciamento não confirma o protocolo de uma ação nem detalha os fundamentos jurídicos do pedido anunciado.
Kassio defende apuração; Fachin pede respeito às urnas
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação da votação não comprometeu o processo eleitoral. Segundo ele, a mudança exigiu adaptações nas rotinas da Justiça Eleitoral, mas as providências técnicas preservaram a apuração.
Entre as medidas relatadas por Kassio esteve a suspensão temporária do recebimento de boletins de urna, para impedir acesso antecipado a informações sobre a votação. A manifestação trata dos procedimentos da eleição e não representa julgamento de eventual pedido de anulação.
Em nota divulgada na mesma noite, o presidente do STF, Edson Fachin, pediu respeito à vontade dos eleitores e defendeu a pacificação do País. Sem citar candidatos ou partidos, ressaltou a necessidade de diálogo entre os Poderes, estabilidade institucional e respeito às regras constitucionais.
Balanço da apuração nacional
Até a atualização das 22h15min11s, haviam sido totalizadas 499.197 das 499.248 seções eleitorais. O balanço global contabiliza 128.224.474 votos, dos quais 124.071.022 são válidos. Os números desta matéria correspondem a essa parcial, com o vencedor matematicamente definido, e não à totalização final.
Confira a votação dos candidatos:
Lula (PT), eleito: 64.248.884 votos, ou 51,78%
Flávio Bolsonaro (PL): 59.822.138 votos, ou 48,22%
O balanço também registra
Votos brancos: 1.430.375, ou 1,12%
Votos nulos: 2.723.077, ou 2,12%
Abstenções nas seções totalizadas: 30.506.194 eleitores, ou 19,22%
Urnas apuradas no Brasil e no exterior: 99,99%.
Segundo o painel da Justiça Eleitoral, 158.745.502 pessoas estavam aptas a participar da eleição presidencial. Os números apresentados correspondem à apuração global, que reúne os votos registrados no território brasileiro e nas seções eleitorais do exterior.
Agora RN