
Foto: Adriano Abreu
Os acidentes de trânsito geraram mais de 22 mil atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) do Rio Grande do Norte no intervalo de 15 meses. O impacto financeiro desses atendimentos ultrapassa R$ 6,3 milhões em recursos públicos, segundo relatório técnico elaborado por pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da UFRN (LAIS/UFRN) divulgado na última terça-feira (4).
O documento “O impacto hospitalar e financeiro dos acidentes de trânsito no RN (2025-2026)” aponta que motociclistas homens, com idade entre 20 e 39 anos, formam o principal perfil das vítimas no estado. A maior pressão assistencial se concentra no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, responsável por 56% dos casos. O Hospital Tarcísio Maia, em Mossoró, aparece em seguida, com mais de 33% dos atendimentos.
De acordo com o relatório, Natal absorve parte significativa dos traumas gerados pelo deslocamento diário de moradores da região metropolitana. A capital registrou 5.488 ocorrências, enquanto o número de residentes acidentados foi de 4.744.
“A prova definitiva dessa ‘esponja’ está em cidades vizinhas como Parnamirim, que possui 1.071 residentes acidentados para apenas 895 ocorrências locais. Esse excedente de vítimas residentes em ‘cidades dormitório’ prova que o acidente ocorre no deslocamento diário para o polo central”, aponta o documento.
Vulnerabilidade
Outro dado destacado pelos pesquisadores é a falta de equipamentos de proteção entre parte das vítimas. Segundo o levantamento, 34,02% deram entrada sem qualquer equipamento de proteção individual. Em mais da metade dos casos envolvendo motociclistas, as vítimas estavam sem capacete.
Os acidentes também se concentram nos fins de semana. O relatório aponta que sábado e domingo reúnem cerca de 35% das ocorrências, com maior volume aos domingos. Para os pesquisadores, a informação pode auxiliar na organização das escalas de profissionais nos principais serviços de urgência e pronto-socorro.
Além dos motociclistas, o estudo chama atenção para a vulnerabilidade dos pedestres idosos. Entre as vítimas de atropelamento, a maioria tem mais de 70 anos. Esse grupo apresenta taxas de internação, ocupação de UTIs e letalidade cinco vezes maiores do que os motociclistas, segundo o LAIS/UFRN.
Para os pesquisadores, o trânsito passou a representar um dos principais desafios financeiros e assistenciais para a rede pública estadual de saúde. “O trânsito no Rio Grande do Norte não é apenas uma questão de segurança viária; ele consolidou-se como o maior gargalo logístico e financeiro da saúde pública estadual, onde a imprudência individual é subsidiada por milhões de reais do erário público”, conclui o relatório.
O estudo foi assinado por pesquisadores do LAIS/UFRN, entre eles Ricardo Valentim, professor titular da UFRN e cofundador do laboratório, além de Fernando Lucas, Nicolas Veras, Gleyson Caldeira, Leticia Ainoan, Lemyson Lemos, Raul Almeida e Antonio de Oliveira.
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Por Tribuna do Norte