
Foto: David Emanuel
Com a chegada do Carnaval, o Hemonorte faz um apelo à população para reforçar o estoque de sangue e garantir atendimento a pacientes durante o período de festa. Atualmente, o hemocentro mantém cerca de 600 bolsas de sangue, mas o tipo O negativo está em baixa, aumentando a necessidade de doadores.
Nos meses de janeiro e fevereiro, o Hemonorte registra baixa procura por doações de sangue, principalmente por causa do período de férias e do veraneio, quando muitas pessoas estão fora da cidade. “O que acontece é não termos a capacidade de enviar para quem está necessitando a bolsa para ser transfundida”, disse Miriam Mafra, diretora de apoio técnico do Hemonorte.
Neste momento, os estoques de sangue do Hemonorte estão dentro de níveis considerados regulares. No entanto, a equipe do hemocentro alerta que, com a chegada do Carnaval, o número de acidentes tende a aumentar, o que eleva a demanda por doações. O negativo (O-) é o tipo doador universal, podendo ser transfundido em pacientes de qualquer tipo sanguíneo. Apenas cerca de 7% a 9% da população possui esse tipo, tornando-o escasso e de alta demanda.
Entretanto, ela alerta que todas as tipagens necessitam de doadores. “Os tipos mais predominantes no Rio Grande do Norte e no Brasil são as tipagens positivas. Se têm maior predominância, estarão mais presentes na quantidade de doações. No entanto, eles também saem mais”, alerta Miriam Mafra.
Além dos acidentes, a demanda por sangue é contínua para pacientes que dependem de transfusões, como aqueles em tratamento oncológico, pessoas que passaram por transplantes recentes ou portadores de doenças hematológicas. Esse universo já exige um fornecimento constante de sangue de qualidade, e a necessidade pode crescer mais de 30% durante eventos como o Carnaval, quando a ocorrência de acidentes aumenta.
Para três dias de Carnaval, o Hemonorte precisa de em torno de 800 a 1.000 bolsas. “A doação é um gesto simples, mas ela é valorosa, ela é segura, e o resultado imenso para toda uma pessoa é a continuidade de vida”, explica Mafra.
Daniel Costa havia parado de doar sangue devido à distância, já que mora em Santa Cruz. Mas a experiência de quatro meses atrás, quando sua filha precisou passar por uma cirurgia e dois doadores foram necessários, fez com que ele refletisse sobre a importância da doação. “Aí agora eu decidi ficar doando. E hoje eu estou aqui na capital; vim para a consulta da minha filha, aproveitei e já vou fazer essa ação?”, contou Daniel na sala de espera para doar sangue.
Rildan Marinho está doando sangue pela quinta vez e percebe que, no período de Carnaval, os doadores diminuem. “No final do ano tinha muito mais gente aqui. A fila tava bem maior. A gente tem que estar sempre deixando o estoque em dia, principalmente nesse período”, contou. Ele começou a doar incentivado por uma campanha da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do RN (Coopanest).
COOPANEST
A COOPANEST-RN realizou nesta quinta-feira (5) a primeira ação de 2026 da campanha “Minha Atitude Faz a Diferença”, promovendo uma mobilização para doação de sangue no Hemonorte. Emiliana Melo, cooperada da Coopanest, destaca que o sangue é essencial durante todo o ano, mas em períodos de grandes festas, como o Carnaval, a necessidade de sangue aumenta significativamente.
Segundo ela, os anestesistas têm o dever social de antecipar possíveis situações adversas. “A gente está se antecipando a esta época festiva do Carnaval para que várias pessoas se mobilizem a vir fazer essa doação, que é um ato voluntário de amor”, observa.
Ao longo de cinco edições, a ação já contribuiu para salvar mais de 100 vidas. A edição deste ano também marca o lançamento do Cartão do Paciente — iniciativa voltada à segurança assistencial. O cartão reúne informações essenciais para o atendimento, como tipo sanguíneo, dados sobre vias aéreas e alergias, e pode ser apresentado pelo paciente em consultas e procedimentos, contribuindo para decisões clínicas mais rápidas e seguras.
Tribuna do Norte