
Foto: Adriano Abreu
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu as novas tarifas de energia que passam a vigorar a partir dessa quarta-feira (22) para os mais de 1,6 milhão de clientes atendidos pela Neoenergia Cosern. O reajuste tarifário médio anunciado pela agência foi de 5,40%. O impacto será distribuído de forma distinta entre as classes de consumo: os clientes de alta tensão, como grandes indústrias e empresas, terão uma alta média de 10,90%; para a baixa tensão, que inclui as residências, o aumento médio será de 3,74%.
De acordo com a Neoenergia Cosern, na composição da tarifa, a parte que compete à distribuidora apresenta um dos menores impactos: do valor cobrado na fatura, 34,24% são destinados para pagar os custos com a compra e transmissão de energia.
“Os tributos (encargos setoriais e impostos) continuam tendo uma grande participação nos custos da tarifa de energia elétrica, representando 37,38% do total. A distribuidora fica com 28,38% do valor pago pelos consumidores potiguares para cobrir os custos de operação, manutenção, administração do serviço e investimentos”, explica a companhia.
O reajuste anunciado impacta diretamente o orçamento das famílias e também os custos de produção em diversos setores, como comércio, indústria, serviços e agronegócio. No setor alimentício, a medida gera apreensão. Mariza Silva, 64, gerente-comercial da padaria Gosto de Pão, considera o reajuste preocupante.
“Temos um consumo alto, pois nossos utensílios são quase todos feitos por energia. São três fornos que usam energia para pães, tortas, salgados, pastelaria e demais produtos, além da chapa que é bastante utilizada”, relata a gerente, acrescentando que um dos principais desafios neste momento será encontrar formas para economizar, sem afetar diretamente os consumidores.
A microempreendedora Stephannie Xavier, 24, proprietária da doceria Veia Chica, afirma que os empreendedores terão que buscar formas alternativas para economizar.
“Como eu faço na intenção de ajudar na renda enquanto estou desempregada, isso vai afetar muito e será mais uma conta cara a se pagar não só em dinheiro, mas também pelo meu trabalho e esforço”, declara.
A consumidora Pamela Fonseca, 38, assistente-administrativa, afirma que o valor da energia tem impactado diretamente no custo de vida. “Vai causar um baque muito grande nas nossas despesas de casa. Vamos ter que dobrar a atenção com o uso de energia. A elevação vai causar preocupação, muitas coisas também irão aumentar, como supermercados e padarias”, afirma.
O representante comercial, Charles Toscano, 44, reforça que o acréscimo causa um impacto negativo no orçamento das famílias, principalmente quando apenas uma pessoa é responsável por prover, como é o seu caso. “Isso gera um impacto na alimentação, na feira e demais contas básicas. Para quem já tem um orçamento fixo, soa de forma negativa. Teremos que nos adequar e evitar gastos para se enquadrar ao orçamento”.
Fecomércio: reajuste repercute no mercado
O presidente da Fecomércio RN, Marcelo Queiroz avalia que o reajuste traz reflexos significativos para a economia. “O aumento pesa de forma direta tanto no orçamento das empresas, que veem seus custos operacionais se elevarem, quanto no das famílias, que precisam destinar uma maior parte da renda a despesas essenciais, como a conta de luz, reduzindo sua capacidade de consumo”.
Marcelo reitera que a energia elétrica é um insumo estratégico para a atividade econômica, impactando desde o comércio e os serviços até à indústria. “Quando o preço sobe, os efeitos se espalham em cadeia, pressionando a inflação e repercutindo em todos os elos do mercado, do produtor ao consumidor final”.
Composição tarifária
Um levantamento da Aneel mostra que a maior parte do valor pago pelo consumidor é destinada a impostos e custos de produção, e não à distribuidora local. De acordo com a Neoenergia Cosern, para amenizar impacto do reajuste, foram repassados de forma antecipada recursos a serem recebidos da Conta de Desenvolvimento Energético decorrente do Uso do Bem Público (UBP), nos termos do previsto no art. 4º da Lei 15.235/2025.
“Os custos de encargos setoriais estão contribuindo com 1,73% no índice de reajuste e os custos com transmissão e geração de energia com 2,56% no índice, totalizando 4,29%. Os custos de componentes financeiros tiveram efeito de 1,95% no índice final”, conclui a distribuidora, em nota.